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Governo remarca Enem para janeiro e fevereiro de 2021

Para decidir, o √≥rg√£o ouviu entidades que representam secretarias de Educa√ß√£o, o ensino superior p√ļblico e privado sobre as datas.

Por FolhaPress em 08/07/2020 às 19:27:15
(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

O MEC (Ministério da Educa√ß√£o) anunciou nesta quarta-feira (8) as datas do Enem 2020. As provas em papel v√£o ocorrer nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021 e, no computador, em 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021.

O Enem ocorreria inicialmente em novembro deste ano. O ex-ministro Abraham Weintraub era contra o adiamento e só mudou de ideia com iminente derrota sobre o tema no Congresso.

O Senado chegou a aprovar texto exigindo a mudan√ßa de data por causa dos reflexos da pandemia de coronavírus.

Weintraub então insistiu na realização de uma consulta com os inscritos, e afirmou que o resultado seria respeitado pelo governo. A maioria votou pela realização da prova em maio, mas, agora já sem ministro, o MEC ignorou essa posição.

O resultado da pesquisa foi divulgado após a saída de Weintraub. Técnicos do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) informaram à reportagem esta semana que o órg√£o aguardava o anúncio do novo ministro para defini√ß√£o das datas.

Mas, como a escolha do ministro já demora quase um mês (Weintraub foi demitido dia 18 de junho), o MEC entendeu ser importante não atrasar ainda mais a definição dessas datas.

O exame tem 180 quest√Ķes e é aplicado em dois dias. Esta ser√° a primeira edi√ß√£o com uma aplica√ß√£o em computador para parte dos candidatos, em car√°ter de teste.

Principal porta de entrada para o ensino superior público, o Enem recebeu neste ano 5,8 milh√Ķes de inscritos. s resultados também d√£o acesso a bolsas do ProUni (Programa Universidade Para Todos) e contratos do Fies (Financiamento Estudantil).

Para decidir, o órg√£o ouviu entidades que representam secretarias de Educa√ß√£o, o ensino superior público e privado sobre as datas.

Secret√°rios estaduais de Educa√ß√£o cobravam o MEC pelo adiamento do exame por causa do fechamento de escolas em decorr√™ncia da pandemia de coronavírus. O Consed, que representa os dirigentes, apoia as novas datas.

O argumento para n√£o realizar o exame em maio, como queria os estudantes, é que isso atrasaria muito o calend√°rio das universidades e também dos programas como ProUni e Fies. O que também teria impacto negativo na desigualdade.

A maior preocupa√ß√£o dos estados, que concentram a maioria das matrículas de ensino médio, é com o impacto que o fechamento de escolas vem causando para os alunos de escolas públicas, sobretudo os mais pobres.

Em maio, a Folha de S.Paulo mostrou que 3 em cada 10 concluintes do ensino médio em escolas públicas no exame de 2018 n√£o tinham acesso à internet. Na escola privada, 3,7% disseram n√£o ter conex√£o residencial.

Diante dos impactos do coronavírus, o CNE (Conselho Nacional de Educa√ß√£o) aprovou nesta ter√ßa-feira (7) um parecer que recomenda às redes de ensino evitar reprova√ß√Ķes de estudantes neste ano.

O documento ainda precisa ser homologado pelo MEC. Ele sugere que as redes reorganizem os calend√°rios de 2020 e 2021, considerem atividades remotas também no próximo ano e fa√ßam ajustes nas avalia√ß√Ķes.

"O CNE recomenda fortemente a ado√ß√£o de medidas que minimizem a evas√£o e a reten√ß√£o escolar neste ano de 2020, reconhecendo, no entanto, que as decis√Ķes acerca dos critérios de promo√ß√£o s√£o de exclusiva compet√™ncia dos sistemas de ensino", diz o texto.

O órg√£o aprovou em abril outro parecer com diretrizes para reorganiza√ß√£o escolar nesse período. O texto ainda sugeria que a defini√ß√£o de cronogramas de avalia√ß√Ķes, como Enem, considerasse a interrup√ß√£o de aulas.

O MEC homologou esse parecer, mas impôs uma exce√ß√£o exatamente no trecho que falava das avalia√ß√Ķes. O objetivo do governo foi deixar em aberto a possibilidade de fazer a prova ainda neste ano.

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