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Goiânia: MDB decide deixar aliança com o prefeito, Rogério Cruz

De acordo com o apurado os desgastes com a reforma do secretariado, faz partido decidir pelo rompimento em reunião na noite deste domingo (4); mais de dez nomes devem entregar cargos

Por Redação em 05/04/2021 às 08:01:41
Daniel Vilela presidente do MDB de Goiás

Daniel Vilela presidente do MDB de Goiás

Após reunião realizada na noite deste domingo (4/4), o MDB decidiu pelo desembarque da gestão do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos). Pelo apurado, devem entregar os cargos nesta segunda mais de dez nomes, entre eles, os secretários de Planejamento Urbano e Habitação, Agenor Mariano; de Finanças, Alessandro Melo; de Desenvolvimento e Economia Criativa, Carlos Júnior; de Relações Institucionais, Euler Morais; e o secretário extraordinário, Leandro Vilela. Também devem pedir exoneração o procurador-geral do Município, Antônio Flávio de Oliveira, e o controlador-geral, Colemar José de Moura Filho. O anúncio será feito em coletiva de imprensa na manhã de hoje, no AlphaPark Hotel, onde foram feitos os principais eventos da campanha emedebista no ano passado, e haverá divulgação de uma carta aberta assinada por todos a fim de esclarecer à população os motivos que levaram à decisão. Após o anúncio, um dos nomes escolhidos levará os pedidos de exoneração ao prefeito Rogério Cruz no Paço.

A carta aberta deve dizer que a Prefeitura deve perder um "quadro qualificado" de secretários, que estava disposto a cumprir o legado das gestões emedebistas e do prefeito eleito Maguito Vilela, que faleceu em janeiro por complicações relacionadas à Covid-19. O texto deve falar que os secretários não podem compactuar com uma gestão que começa a "desviar da rota", e com interesses não muito claros, citando como exemplo a gestão do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que era do Republicanos e que terminou com uma série de denúncias e uma má avaliação.

Nos bastidores, secretários ligados ao MDB já falavam de desmotivação para se manter no governo devido à falta de clareza sobre o futuro da gestão. A avaliação de emedebistas é de que o Paço pode tomar um rumo incerto, devido à concentração de poder em nomes que não são de Goiás, como o secretário de Governo, Arthur Bernardes, que é do Distrito Federal. O nome de Arthur Bernardes foi citado durante a reunião. É ligado ao presidente do Republicanos do Distrito Federal, Wanderley Tavares, apontado como o principal articulador da reforma administrativa do Paço, e que por sua vez tem ligação com o deputado federal Marcos Pereira, que é presidente nacional do Republicanos, além de bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. "É uma frustração grande, mas infelizmente não restou outra alternativa. A maneira com que o prefeito se deixou conduzir, terceirizando a sua gestão, entregando completamente o destino da prefeitura a um secretário imposto pela direção nacional do partido, via um preposto do presidente nacional envolvido na Lava Jato", diz uma pessoa que participou da reunião, em referência a Wanderley Tavares, que se tornou réu no âmbito da Operação Mãos à Obra, um desdobramento da Lava Jato, que investigou esquema na Secretaria de Obras do Rio de Janeiro, na gestão anterior do prefeito Eduardo Paes. "O grupo sai porque o objetivo não eram os cargos, mas compromisso com os projetos", arremata. "Podemos até errar, mas erramos menos, porque conhecemos a cidade. Somos daqui e nossas famílias moram aqui", afirma outro secretário, em referência aos nomes de fora do Estado nomeados sob influência do diretório nacional do Republicanos — além de Arthur Bernardes, os novos presidente e diretor-administrativo da Comurg, Alex Gama e Ricardo Itacarambi, respectivamente, também vêm de outros lugares. O primeiro é de Alagoas, e o segundo, do DF. Ambos empresários. Pessoas ligadas a Rogério Cruz, porém, têm garantido que os novos auxiliares não impedem que o plano de governo apresentado na campanha liderada por Maguito Vilela seja cumprido. Nos últimos dias, tem havido a garantia de que o plano será executado.

Desrespeito

Um dos motivos citados para o desembarque também foi a falta de diálogo na condução da reforma. "Do jeito que a coisa estava ocorrendo, todos estavam temerosos de ser exonerados sem conversa, em função de interesses que não eram aqueles de transparência e qualificação", relata uma pessoa que participou da reunião ontem. A reforma foi o início do desgaste da relação entre o MDB e a gestão de Rogério Cruz, justamente por conta da forma que foram realizadas as trocas de auxiliares ligados ao MDB a partir de 16 de março, com a exoneração do então secretário de Governo, Andrey Azeredo — além da Segov, foram trocados também os titulares das secretarias de Administração,Comunicação, e Educação, além da Agência de Meio Ambiente (Amma), e da Comurg. Em muitos dos casos, os ex-titulares relataram falta de diálogo e, em um, houve acusações de não cumprimento de compromisso por parte do prefeito, caso de Zilma Peixoto, ex-titular da Amma. Ela foi avisada de que seria substituída na pasta — para seu lugar, foi nomeado Luan Alves, filho do vereador Clécio Alves (MDB) — e recebeu convite para assumir a Superintendência da Casa Civil e Articulação Política, mas pediu prazo para comunicar a equipe antes de ser exonerada, o que não foi cumprido, segundo ela. No mesmo dia, anunciou a imprensa o desembarque do Paço.

Outro ponto citado foi a suspensão dos contratos de recuperação e reconstrução asfáltica, via decreto do prefeito Rogério Cruz, sem aviso ao então secretário de Infraestrutura, Luiz Bittencourt, e sem apresentação das irregularidades que basearam a decisão — o prefeito justificou que a suspensão se deu devido a pedido de investigação aberto pela Câmara de Goiânia. O decreto, editado na terça-feira (30), foi o motivo para o pedido de demissão de Bittencourt no dia seguinte.

Vereadores

Antes de se encontrar com o secretariado, Daniel teve conversa com cinco dos seis vereadores do MDB na Câmara de Goiânia: Anselmo Pereira, Clécio Alves, Dr. Gian, Henrique Alves e Kleybe Morais — apenas Izídio Alves não participou. A reunião foi na sede do diretório estadual do MDB, e terminou sem consenso. Os vereadores defendem a continuidade na gestão, visto que têm indicações no Paço. Rogério Cruz tem feito um esforço para aumentar sua base na Câmara e, por isso, tem cedido espaço para os vereadores, até numa forma de segurar o MDB e promover possível alianças para 2022.

Fonte: Com informações de O Popular

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