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Pesquisa da Una aponta aumento de 40% no consumo de açúcar durante a pandemia

Por Redação GA Comunicação em 09/06/2021 às 17:01:09

Um docinho ao final de um dia estressante pode ser uma válvula de escape para muita gente. Apesar do sentimento momentâneo de felicidade, o consumo de açúcares em excesso pode gerar problemas de saúde à pessoa. Segundo um estudo da Clínica Integrada de Atenção à Saúde do Centro Universitário Una, em Belo Horizonte, 40% dos 244 pacientes analisados consumiram mais açúcar durante a pandemia do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para a professora de nutrição da Una Catalão, que faz parte da Ânima Educação, Paula Cândido Nahas, esse aumento no consumo muitas vezes nem é percebido. "A quantidade recomendada pela OMS é de 25g/dia de açúcar, e é importante lembrar que existem alimentos em uma rotina alimentar como pães, iogurtes e as próprias frutas, que já possuem uma certa quantidade de açúcar. O que vemos hoje é que a ingestão desses alimentos, somada ao aumento do consumo de chocolates, fast-foods e comidas industrializadas no geral, está fazendo com que muitas pessoas ultrapassem a quantidade indicada", pontua ela, que indica que "a situação de pandemia, junto à diversos fatores, podem facilitar a busca por esses tipos de alimentos, que muitas vezes são mais práticos e com menor custo", observa Paula.

Os dados da pesquisa podem refletir as condições emocionais dos entrevistados. Segundo Tannara Ribeiro, professora de psicologia da Una Catalão, o excesso no consumo de açúcares pode estar diretamente ligado à ansiedade e estresse. "Os nossos sentimentos interferem diretamente na forma como nos alimentamos, e comidas mais açucaradas ou gordurosos liberam em nosso corpo a endorfina, causando uma sensação de bem-estar, e isso reforça um comportamento automático do organismo de tentar equilibrar alguma emoção desregulada, como o estresse e ansiedade. A pandemia em questão trouxe muitas mudanças, insegurança e receio, o que pode sim ter potencializado esse consumo acentuado de açúcar", explica Tannara.

Paula aponta ainda que a relação do aumento do consumo de açúcar durante os períodos de estresse, tem explicação científica. "Comer açúcar faz com que o nosso sistema de recompensa do cérebro seja ativado, liberando substâncias como dopamina e serotonina, que geram a sensação de prazer e bem-estar. Além disso, do ponto de vista social e psicológico isso também acontece, pois normalmente nos remete à momentos comemorativos, de interação social, que também se associam com a felicidade", detalha a especialista.

Em relação aos problemas causados pelos altos níveis de consumo de açúcares, como obesidade, hipertensão e diabetes, a professora Paula explica que eles podem ir muito além da balança. "O que acontece é que após ingerirmos uma quantidade elevada de açúcar, os níveis de glicose no sangue sobem rapidamente, gerando uma sensação de saciedade. Entretanto, após esse rápido pico de energia, também há uma queda abrupta, que nosso corpo muitas vezes não processa, causando cansaço, irritabilidade, tremores e tontura", aponta.

Com os diversos problemas que podem ser desencadeados, é preciso ficar atento às causas e efeitos. Tannara Ribeiro ressalta que se for percebida alguma alteração brusca de humor, momentos de tristeza ou ansiedade, o recomendado é buscar ajuda psicológica para que o profissional possa fazer um diagnóstico adequado. Em relação à saúde física, Paula Nahas relembra que o equilíbrio é o segredo. "Não é o fim do mundo comer um docinho, é preciso equilíbrio e acompanhamento nutricional. Além disso, é importante sempre lembrar das opções mais naturais como mel e frutas, e optar por tomar cafés e sucos sem nenhum tipo de adoçante, por exemplo. A palavra é equilíbro", reforça ela, que ainda dá outra dica importante: "É importante ler os rótulos dos alimentos nos supermercados. Lembrando que a lista segue uma ordem decrescente de quantidade, ou seja, o primeiro ítem a aparecer é o que está mais presente no produto. Além disso, nomes como sacarose, maltodextrina, dextrose e xarope de milho nas embalagens significam que o alimento contém açúcar" finaliza.

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