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Gastos elevados na publicidade do governo anterior chamam atenção da Polícia Civil

Em janeiro deste ano, Opera√ß√£o Sofisma apurou superfaturamento e fraude em contratos de √≥rg√£os do governo com sites e blogs, no per√≠odo de 2014 a 2017, demonstrando que o dinheiro p√ļblico era usado para atacar advers√°rios pol√≠ticos

Por Redação em 12/05/2020 às 09:25:05
Os números apurados impressionaram as autoridades durante as investigações, que revelaram que as fraudes começaram a acontecer em 2014 e teriam se estendido até 2017. (Reprodução/PCGO)

Os números apurados impressionaram as autoridades durante as investigações, que revelaram que as fraudes começaram a acontecer em 2014 e teriam se estendido até 2017. (Reprodução/PCGO)

De 2014 a 2017, foram muitos os contratos milion√°rios firmados entre os diversos órg√£os do Estado de Goi√°s com blogs e sites – supostamente para divulga√ß√£o de campanhas educativas – o que acabou por chamar a aten√ß√£o da Polícia Civil de Goi√°s. A partir de 2019, com a independ√™ncia que as for√ßas policiais passaram a ter, o esquema foi investigado e o que era uma suspeita virou constata√ß√£o durante a Opera√ß√£o Sofisma, deflagrada em janeiro de 2020.

Na Opera√ß√£o, a Polícia Civil apurou indícios de fraudes e superfaturamentos de contratos entre a Ag√™ncia Brasil Central (ABC) – na época Ag√™ncia de Comunica√ß√£o (Agecom), o Departamento de Tr√Ęnsito de Goi√°s (Detran-GO) e empresas de comunica√ß√£o digital nos contratos realizados durante o governo passado. Segundo as investiga√ß√Ķes, o esquema de corrup√ß√£o dentro da estrutura de comunica√ß√£o estadual consistia em escamotear, por meios destes contratos, o direcionamento de verbas públicas para sites e blogs ligados ao grupo que comandava o executivo estadual, encarregados de veicular conteúdos de ataque a advers√°rios políticos.

Os números apurados impressionaram as autoridades durante as investiga√ß√Ķes, que revelaram que as fraudes come√ßaram a acontecer em 2014 e teriam se estendido até 2017. Os gastos foram crescentes e alcan√ßaram maior patamar em 2017, ano pré-eleitoral. Neste período, os gastos da Agecom foram de R$ 53.268.384,34 em 2014; R$ 76.651.523,95 em 2015; R$ 85.925.747,05 em 2016; atingiram o auge de R$ 100.318.974,21 em 2017. J√° em 2019, primeiro ano da gest√£o de Ronaldo Caiado, a queda neste tipo de gasto foi brusca: os contratos firmados pela pasta ficaram em R$ 11.163.562,41.

O mesmo fluxo pode ser observado nos contratos da Saneago. Em 2015, foi gasto R$ 1.136.271,21 em publicidades. Em 2016, esse valor passaria a R$ 2.205.348,70, saltando a R$ 7.380.912,15 em 2017. Em 2019, primeiro ano do novo mandato, uma nova redu√ß√£o, com gastos em R$ 2.238.069,29, quando a maior parte do valor é destinada a divulga√ß√Ķes obrigatórias que a Companhia de Saneamento precisa fazer, como aviso de licita√ß√Ķes e resumo de contratos.

No Detran, onde foram apreendidos 500 processos, dos anos de 2014 a 2017, pelos policiais, houve uma varia√ß√£o neste fluxo. O ano que registra maior gasto com publicidade no período é justamente o ano de 2014, com R$ 28.572.078,86 em contratos firmados. Em 2015, a cifra gasta foi de R$ 18.118.583,07, e, em 2016, de R$ 17.163.450,84. Em 2017, ano pré-eleitoral, novo aumento, indo a R$ 19.132.753,46. J√° em 2019, dentro do governo Caiado, os contratos n√£o passaram de R$ 8.188.746,87. Os números est√£o disponíveis no Portal Goi√°s Transparente (http://www.transparencia.go.gov.br/portaldatransparencia). Ao todo, o volume total gastos pelas tr√™s pastas saltou de R$ 81.840.463,20, em 2014, para R$ 126.832.639,82, em 2017, enquanto que no primeiro ano do governo Caiado esse montante ficou em R$ 21.590.378,57.

A Opera√ß√£o Sofisma foi deflagrada em 23 de janeiro, a partir de uma denúncia do Ministério Público de Goi√°s (MP-GO), mobilizando cerca de 100 policiais, com 17 mandados de busca e apreens√£o cumpridos nas resid√™ncias dos investigados e em órg√£os do governo. A opera√ß√£o se concentrou inicialmente em tr√™s blogs: Goi√°s 24 horas, Canal Gama e Blog do Cleuber Carlos. Houve mandados de pris√£o requeridos para alguns dos alvos, mas a Justi√ßa os indeferiu. Alguns suspeitos foram intimados e prestaram depoimento, mas até o momento, ninguém foi preso.

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